Thaiza Montine
Texto de: Juliana Carvalho
Publicado em 15 de setembro de 2009.
Você já parou para pensar que todo professor é também um produtor? Nossas aulas, os textos e exemplos escolhidos são a nossa produção cultural. O professor é produtor de um discurso que, segundo Walter Benjamin, pode ser aurático ou alegórico.
Discurso aurático é o discurso da continuação, da manutenção da ordem e das relações de poder; o discurso alegórico seria o discurso dos dominados se tivessem voz na sociedade. Para Benjamin, o professor-produtor está inserido em um contexto cultural que será determinante para definir a forma que o produto vai ter e a quem ele vai servir em um sentido ideológico.
O professor-produtor, além de conhecer as teorias existentes sobre aprendizagem, utiliza também conhecimentos e recursos disponíveis na Informação e Comunicação e utiliza esses conhecimentos tanto na construção do seu conhecimento, como ao contribuir para a construção do conhecimento dos alunos.
Nós, professores, devemos oferecer ferramentas que permitam ao sujeito resistir à dominação e reverter a ordem. A aquisição dos elementos da cultura letrada dá ao sujeito informações sobre outras formas de cultura diferentes da sua, e permite que decida se quer participar delas ou não. O sujeito deve, ao menos, ter conhecimento suficiente para exercer a cidadania sem negar sua cultura – que, em geral, não é reconhecida ou legitimada pela escola.
Prosseguir com o mesmo modelo ou preparar aulas que estejam além do que é oferecido pela escola hoje em dia é uma escolha nossa. Para Walter Benjamin, uma produção cultural só pode ser considerada justa se seguir a tendência correta e, por outro lado, se for de boa qualidade.
A literatura, por exemplo, pode ser usada na escola além do quadro histórico e da mera exposição das características principais de autores consagrados pelo cânone. Usamos sempre os mesmos textos e autores, esquecendo que a literatura pode ser usada como um veículo capaz de fomentar discussões sobre diversos assuntos, auxiliando na formação e na construção da cidadania. Além disso, é importante desenvolver com os alunos um amplo trabalho para estimular a leitura.
Saussure entendia a linguagem como uma faculdade mental. O desenvolvimento dessa faculdade é que possibilita a leitura em qualquer código. Segundo ele, a faculdade da linguagem tem como funções a comunicação e a autorreferenciação.
Nossa leitura é um ato solitário; no entanto, quando compartilhada com a leitura de outras pessoas, ampliam-se as possibilidades de interpretação e surgem novas ou diferentes versões do mesmo texto. Nós, professores, devemos não só possibilitar como estimular esse momento – que pode ser associado à zona de desenvolvimento proximal proposta por Vygotsky:
as estruturas da fala dominadas pela criança tornam-se estruturas básicas de seu pensamento. Isto nos leva a outro fato inquestionável e de grande importância: o desenvolvimento do pensamento é determinado pela linguagem, isto é, pelos elementos linguísticos do pensamento e pela experiência sociocultural da criança. Basicamente, o desenvolvimento da fala interior depende de fatores externos: como os estudos de Piaget demonstram, o desenvolvimento da lógica na criança é uma função direta de sua fala socializada. O crescimento intelectual da criança depende de seu domínio dos meios sociais do pensamento, isto é, da linguagem.
Já que o desenvolvimento da linguagem é um elemento essencial ao crescimento intelectual da criança, a leitura transforma-se em um fator que interfere diretamente no pensamento, tornando-se um fator determinante do bom desempenho na escola.
Podemos perceber quatro momentos na leitura:
Decodificação: conhecer o código, pelo menos o mínimo de núcleo comum para que a comunicação seja efetiva.
Atribuição de significado para cada significante: signo + sequência fônica + imagem mental.
Geração de sentido: depois das duas primeiras etapas, a leitura já se consolidou e o leitor mergulha nas lacunas.
Consolidação: o leitor apresenta marcas, indícios de uma leitura profunda e da compreensão. Ele reconhece o que o texto tem de próprio, junta com o seu capital cultural e produz um novo texto.
Quase sempre o trabalho com a leitura na escola termina na segunda etapa. Cabe a nós, professores, decidir se seguimos mantendo essa ordem ou se produzimos uma aula diferente, na qual o trabalho com a leitura não siga os moldes definidos há anos, mas seja capaz de seguir adiante e alcançar as etapas 3 e 4. Conversas livres, debates, associações com outros textos ou com textos multimodais ajudam na geração de sentido e na consolidação.
Agora, é com você, professor. Que tal assumir o papel de produtor da sua aula?
.
Mais um dos que recebi por e-mail e achei por bem compartilhar com vocês!
Espero que gostem.
[]'s
ProfªThaiza
0 comentários | | edit post
Reações: 
Thaiza Montine

ImageChef.com Poetry Blender
Se você já passou por algum imprevisto durante alguma aula de Química, ou Física, ou Biologia, ou mesmo em sua cozinha, ou banheiro...
Envie sua história para: quimilokos_professora@hotmail.com até o dia 20/09 e concorra a publicação da mesma no Blog Quimilokos e a uma camiseta do Blog!!
Não perca tempo! Essa é a última semana!
Envie já!!
0 comentários | | edit post
Reações: